Thursday, August 07, 2008

DELÍRIO DE POETA

Um dia pensei um poema para Maísa
"Maísa não é isso
Maísa não é aquilo
Como é então que Maísa me comove me sacode me buleversa me hipnotiza?

Muito simplesmente
Maísa não é isso mas Maísa tem aquilo
Maísa não é aquilo mas Maísa tem isto
Os olhos de Maísa são dois não sei quê não sei como diga dois Oceanos
Não-Pacíficos

A boca de Maísa é isto isso e aquilo
Quem fala mais em Maísa a boca ou os olhos?
Os olhos e a boca de Maísa se entendem os olhos dizem uma coisa e a boca
de Maísa se condói se contrai se contorce como a
ostra viva em que se pingou uma gota de limão.
A boca de Maísa escanteia e os olhos de Maísa ficam sérios meu Deus como
os olhos de Maísa podem ser sérios e como
a boca de Maísa pode ser amarga!
Boca da noite (mas de repente alvorece num sorriso infantil inefável)"
Cacei imagens delirantes
Maísa podia não gostar
Cassei o poema.

Maísa reapareceu de longa ausência
Maísa emagreceu
Está melhor assim?
Nem pior nem melhor
Maísa não é um corpo
Maísa são dois olhos e uma boca
Essa é a Maísa da televisão
A Maísa que canta
A outra eu não conheço não
Não conheço de todo
Mas mando um beijo para ela.

Manoel Bandeira
Estrela da Tarde

2 Comments:

Blogger Ludendi said...

Este poema foi escrito pro Manoel Bandeira, que com idade aproximada de 80 anos, se declara à cantora Maysa, depois de saber que a mesma havia se separado.

7:34 PM  
Blogger Novinski said...

Andei lendo esse blog tão rico de boas histórias. O Poema é singular, como você - que o escolheu para pôr aqui.
Beijo grande

2:21 PM  

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