Thursday, November 22, 2007

Morre, aos 80 anos, o coreógrafo francês Maurice Béjart

O coreógrafo francês Maurice Béjart morreu nesta quinta-feira, aos 80 anos, informou à AFP o Béjart Ballet de Lausanne, do qual ele era diretor há 20 anos. "Maurice Béjart faleceu nesta noite, às 00H25 locais, no Centro Hospitalar de Lausanne", informou, por sua vez, o escritor Francois Weyergans, prêmio Goncourt 2005 e amigo íntimo do coreógrafo.
Estamos informando aos membros do balé. Um comunicado oficial será publicado posteriormente," declarou à AFP Eric Trol, administrador adjunto do BBL, sem divulgar detalhes sobre as circunstâncias do falecimento. Na semana passada, Béjart foi hospitalizado pela segunda vez em um mês para ser submetido a um tratamento cardíaco e renal de várias semanas.
Maurice Bejart padecia há anos de vários problemas de saúde que o obrigaram a reduzir sua atividade, informou a prefeitura de Lausanne. Apesar da saúde delicada, o artista acompanhava diariamente as atividades de sua companhia e, em especial, os ensaios de "A volta ao mundo em 80 minutos", cuja estréia mundial está prevista para 20 de dezembro. A turnê mundial propriamente dita começará depois da apresentação em Paris, prevista para fevereiro de 2008.
Em meados de outubro, Béjart ficou hospitalizado vários dias por causa de uma estafa. Nascido em 1º de janeiro de 1927 em Marselha (sul da França), Maurice Berger, que mais tarde e, em homenagem a Molière, adotaria o nome de família de sua esposa, Armande Béjart, era filho do filósofo Gaston Berger.
Depois de obter uma licenciatura em filosofia, abandonou os estudos para se dedicar à dança, que descobriu aos 14 anos por conselhos de seu médico, que a recomendou para "fortalecer um corpo franzino".
Em Londres e em Paris seguiu uma formação clássica. Em 1952 assinou sua primeira coreografia para o filme sueco "O pássaro de fogo", que também protagonizou.
Maurice Béjart queria fazer da dança a "arte do século XX". "Tirei a dança das salas de ópera para levá-la para os Palácios do Esporte, para os Jogos Olímpicos e o Festival de Aviñón", costumava afirmar, orgulhoso que ter tornado possível que um público mais abrangente tivesse acesso a sua disciplina.

Com seus olhos de um azul profundo, Maurice Béjart, que se converteu ao Islã em 1973, criou uma aura mística que impregnou o conjunto de sua obra. No total, Béjart criou 140 coreografias através das quais expressou sua paixão pelas viagens e seu gosto pelo hibridismo. Cinema, teatro e ópera se misturavam em suas criações, que não apenas combinaram gêneros, como também épocas, estilos e civilizações.

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